Já sabemos que não basta, como se pensou nos anos 1950 e 1960, dotar
professores de livros e novos materiais pedagógicos. O fato é que a
qualidade da educação está fortemente aliada à qualidade da formação dos
professores. Outro fato é que o que o professor pensa sobre o ensino
determina o que o professor faz quando ensina.
O desenvolvimento dos professores é uma precondição para o
desenvolvimento da escola e, em geral, a experiência demonstra que os
docentes são maus executores das ideias dos outros. Nenhuma reforma,
inovação ou transformação – como queira chamar – perdura sem o docente.
É preciso abandonar a crença de que as atitudes dos professores só se
modificam na medida em que os docentes percebem resultados positivos na
aprendizagem dos alunos. Para uma mudança efetiva de crença e de
atitude, caberia considerar os professores como sujeitos. Sujeitos que,
em atividade profissional, são levados a se envolver em situações
formais de aprendizagem.
Mudanças profundas só acontecerão quando a formação dos professores
deixar de ser um processo de atualização, feita de cima para baixo, e se
converter em um verdadeiro processo de aprendizagem, como um ganho
individual e coletivo, e não como uma agressão.
Certamente, os professores não podem ser tomados como atores únicos
nesse cenário. Podemos concordar que tal situação também é resultado de
pouco engajamento e pressão por parte da população como um todo, que
contribui à lentidão. Ainda sem citar o corporativismo das instâncias
responsáveis pela gestão – não só do sistema de ensino, mas também das
unidades escolares – e também os muitos de nossos contemporâneos que
pensam, sem ousar dizer em voz alta, “que se todos fossem instruídos,
quem varreria as ruas?”; ou que não veem problema “em dispensar a todos
das formações de alto nível, quando os empregos disponíveis não as
exigem”.
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